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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Avenida Paulista e a População em situação de rua.



Iniciamos nossa discussão primeiro a partir da dificuldade em realizar conceituação do grupo caracterizado como "população em situação de rua" e em seguida por que a escolha de das calçadas da Av. Paulista para se abrigar  .
Constituído por heterogeneidades de pessoas que romperam gradativamente com as instituições familiares e produtivas, ou seja, excluídas do mercado formal de trabalho, do direito a usufruir das cidades e de possuir local fixo de residência (Decreto 7.053/09 art. 1º, parágrafo único), a população de rua é comumente rotulada de marginal, perigosa, vagabunda ou mendiga. A mendicância internaliza em seus componentes sentimento de fracasso e perda da vontade de lutar para sobreviver dignamente.
Desde a Constituição de 1988, uma parcela dos cidadãos vem realizando verdadeira cruzada na busca da cidadania dessa população, vários movimentos sociais , pesquisadores acadêmicos, assistentes sociais entre outros traçam e aprofundam estudos sobre os fatores de expulsão e atração para as ruas e por meio da participação cidadã projetam ações de Políticas Públicas protetivas.
A diversidade do perfil dessa população dificulta ações generalizadas, exigindo estudos aprofundados. Diante desse quadro, foi criado o Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento nos municípios. A finalidade primeira é elaborar pesquisas quantitativas e qualitativas sobre a problemática.. Governo Federal em parceria com as Secretarias de Assistência Social de cada localidade, conselhos participativos da cidade, organizações não governamentais (Ong’s), Igrejas, comunidade, Ministério Público e Defensoria Pública necessitam atuar em conjunto para conquistar medidas satisfatórias que previnam a situação e respeite as liberdades individuais e os Direitos Humanos de todos os indivíduos.
O conjunto de cooperação possibilita o desenvolvimento de conceitos e metodologias que efetivamente enfrente o problema, além de formar banco de dados (gerenciado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome), para estudos de diversas naturezas. Entre os estudos, o Município de São Paulo possui uma comissão na Câmara dos Vereadores- "Frente para Políticas Públicas para "população em situação de rua"", que vem traçando programas de assistência sociais pontuais e incisivos. Em um país com características históricas de exclusão social e contrastes populacionais, como o Brasil,  seria imprudente estabelecer conclusões rápidas sobre os inúmeros fatores que levam pessoas a se tornarem "moradoras em situação de rua e não aceitar o acolhimento em albergues, casas abrigo, entre outras, Pode-se afirmar que as Políticas Públicas aplicadas até hoje não são eficazes e nem preventivas. O Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento proporciona material rico em princípios e esclarecedor. Destaca entre suas problematizações a escolha de determinadas localidade das cidades pela população de rua. Estar nas calçadas de grandes avenidas como a Paulita é estar protegido pelas luzes, câmaras e pessoas que circularm vinte e quatro horas por dia. Desperta sentimento de proteção. 
Assim, ao olhar, esbarrar ou simplesmente passar perto de pessoas em situação de rua, antes de qualquer atitude preconceituosa ou excludente, antes de sentir o desejo que ela seja retirada do local, reflita a respeito da dignidade da pessoa humana, do direito à convivência familiar e comunitária que essa pessoa não usufrui, sobre a valorização da vida e fundamentalmente sobre a necessidade de atendimento humanizado e universalizado.

Qualquer indivíduo é possuidor de Direitos Humanos.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Preconceito e injúria racial no Brasil contemporâneo



*Rosana Schwartz

O Brasil contemporâneo presencia uma crise política, econômica e social. Desde 2013 a rejeição aos modelos de sociedade, guardiãs de estruturas políticas ultrapassadas, que não conseguem proporcionar vida cotidiana digna para todos os cidadãos, balizam pautas diferenciadas e afloram comportamentos moderados e radicais. Durante a década de 70, nas entranhas do crescimento do Estado Autoritário brasileiro, a necessidade de mudança para um Estado Democrático cristalizou a necessidade de organização e ação dos sujeitos/participantes em movimentos organizados. A centralidade estava na efetivação dos direitos sociais e na emergência de novos sujeitos – minorias – nas instâncias de poder. Passados os anos 80, 90 até a atualidade, diante do afastamento dessa centralidade pelas facções de esquerdas e centro-esquerda e decepções com relação às ações realizadas pela política partidária, ações coletivas alimentaram as esperanças de múltiplos coletivos nas redes sociais em direção à construção de uma nova sociedade. Entretanto, nesse processo, radicalismos despontaram e abriram as portas para posições preconceituosas, tanto de gênero como de raça e classes sociais. O preconceito racial no Brasil é encoberto pela ideia de Democracia Racial, pelo processo de mestiçagem e plasticidade etnico/racial advinda de Portugal ( povo híbrido desde a conquista moura de seu território e domínio das regiões na África e Ásia). O conceito de raça aparece metamorfoseando diversas etnias em escravos subalternos e inferiores intelectualmente, ou seja, o negro é uma invenção marcada pelas relações de poder. O preconceito gestado no período colonial escravagista permanece na contemporaneidade através dessa simbologia adensado pelas teorias racistas do século XIX, que afirmavam existir raças, gêneros e classes sociais superiores e inferiores.  Interpretes sobre o Brasil revelaram a permanência das premissas dessas teorias em camadas sociais altas e médias, remanescentes da classe senhorial. O racismo é  um mecanismo de privilégio de classe. Em uma sociedade que se organizou sob a ordem patriarcal oligárquica, a posição social dos sujeitos no meio manifesta múltiplos preconceitos de raça,gênero e classes. A Carta Cidadã, nossa Constituição em seu art. 5º, inciso XLII versa sobre a prática do racismo como “crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão”. Em seu art. 3º, defende uma sociedade sem preconceito de origem, raça, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, como um dos objetivos fundamentais da República. Não obstante, presenciamos cotidianamente manifestações de cunho racista ou injúrias raciais nas ruas, nas escolas, no trabalho e nas redes sociais. As marcas da sociedade patriarcal escravagista e o processo de abolição, que não incluiu o negro e seus descendentes na sociedade, carecem de debates e reflexões aprofundadas. O Estado brasileiro comprometeu-se com os movimentos sociais a corrigir as assimetrias de raça e gênero, adotou proposições das Conferências da Organização das Nações Unidas (ONU), como a Declaração de Durban (2001), que objetiva eliminar o racismo e discriminação de qualquer ordem. Combater a prática de racismo é responsabilidade de todos os cidadãos. Retrocessos com relação a essa questão no Brasil desvelam as permanências de patologias sociais criadas em um passado não tão distante. Repudiemos alarmantes injúrias e preconceitos raciais praticados tanto nas redes sociais como em qualquer lugar, para caminhar na estrada da tolerância, educação para a paz e respeito aos Direitos Humanos.

*Rosana Schwartz é professora de sociologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutora em História, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP (2007). Mestre em Educação, Artes e História da Cultura, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - UPM (2001). Bacharel em História, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo- PUC/SP (1989).




Você sabe por que o dia 09 de julho é feriado em São Paulo?



Por Rosana Schwartz.

Feriado desde 1997, marca a memória do Estado de São Paulo.
Nove de julho é comemorado em lembrança a um dos principais episódios da história do Estado, o levante denominado “Guerra Paulista” ou Revolução Constitucionalista de 1932.
A população de São Paulo encarou, naqueles tempos, uma empreitada militar contra as tropas do governo federal, no período que se estende de julho a outubro de 1932. A reivindicação girava em torno da destituição do governo provisório de Getúlio Vargas (no poder desde a Revolução de 1930), a reabertura do Congresso Nacional e a promulgação de uma nova Constituição Federal. Getúlio Vargas havia abolido a Constituição e fechado o Congresso Nacional.  O resultado da guerra não foi positivo para São Paulo, as tropas paulistas foram sufocadas pela superioridade das tropas federais, compostas pelos outros estados brasileiros, entretanto, apesar da derrota, no ano de 1934, o governo federal promulga a Constituição, atingindo, mesmo que dois anos mais tarde, o objetivo do levante.  Entretanto, vale ressaltar que o acontecimento não se restringiu somente às questões políticas, pertence simbolicamente à formação da identidade paulista. Desde o final do século XIX, São Paulo enriquecido pelo café, investe na sua imagem de “carro chefe” do país. Sob o signo da industrialização, da confraternização entre trabalhadores nacionais e estrangeiros imigrantes, forja a ideia de cidade pioneira dos Bandeirantes, de indivíduos destemidos, trabalhadores e fortes. Essa construção provoca no imaginário social da maioria dos seus habitantes, o entendimento de que a cidade era a mais civilizada e conectada com os valores da ordem e progresso da época. Erigia-se a vocação cosmopolita, de cidade dos arranha céus, que mais cresce e moderna contra um Brasil atrasado e arcaico.  Esse sentimento e de união durante o episódio, recriava o “espírito de paulistanidade”. Em 1932, o poder ideológico das elites regionais de São Paulo reforçava os discursos médicos raciológicos e as teses do imigrantismo, do século XIX, que propunham branquear a “raça” miscigenada brasileira e trazer a civilização e o progresso para o país.  Elevaram setores da sociedade à categoria de “povo paulista” – entre eles os descendentes dos bandeirantes, os primeiros fazendeiros de café e os imigrantes italianos (que até os anos 30 eram discriminados). Rebaixaram os indivíduos que não eram de São Paulo, como os migrantes nordestinos e nortistas do país.
Sem que se perceba, a cidade carrega viva a memória do levante e da construção da sua identidade, em suas estradas e ruas com nomes dos Bandeirantes, Avenida 9 de julho e 23 de maio, além de monumentos como o Obelisco do Ibirapuera. Não possui avenidas ou ruas com o nome de Getúlio Vargas.  

A memória da “Guerra Paulista” continua em luta, apesar de muito discutida e pesquisada, necessita ser mais problematizada, pois é considerada tema extremamente controverso na historiografia brasileira.

domingo, 5 de julho de 2015

Os diretos culturais são direitos dos cidadãos.

DIREITO E CULTURA

Os diretos culturais são direitos de cidadãos, as instituições básicas que os realizam devem ser universais e os recursos têm de atender a todos segundo princípios de igualdade e equidade. Os municípios têm dificuldade de estabelecer uma política abrangente.
 A Cultura depende de variantes socioculturais locais específicas , cada município brasileiro necessita possuir rol de equipamentos e  infraestrutura cultural, segundo as peculiaridades de cada localidade.
O desafio é pensar em políticas que permitam potencializar e de fato articular essas instituições em quadro local e global de ações.
Os municípios brasileiros em geral possuem grandes carências no que se refere às instituições que garantem os direitos culturais.
As redes de orquestras, museus, bibliotecas e livrarias, as emissoras de rádio e televisão, os arquivos e os equipamentos culturais de estados e municípios integram o SNC.
Por isso, a reflexão sobre as condições de existência da cultura como objeto da política de Estado – este supõe o território nacional – não prescinde do dimensionamento constante da presença e da importância da oferta territorializada de equipamentos culturais, por mais controvertidos que sejam os seus papéis nas políticas culturais.
 Dos 5.556 municípios brasileiros, 152 não têm nenhum equipamento cultural e apenas 53 possuem todos eles.
 Para efetuar a análise da densidade da oferta de equipamentos nos municípios, criaram-se alguns agrupamentos, a partir de 15 tipos de equipamentos culturais. Foram considerados de alta densidade de oferta os municípios em que se encontram pelo menos 12 equipamentos (80%); média densidade de oferta – pelo menos seis (40%) dos equipamentos; e baixa densidade de oferta – menos de seis equipamentos com presença superior a 50%. De acordo com essa categorização, 82% dos municípios apresentam baixa densidade de oferta de equipamentos culturais, sendo que a região Norte apresenta 85% de municípios nesta categoria, dos quais 16,6% se situam como localidades com média densidade. Apresenta alta densidade apenas 1% das municipalidades brasileiras. Alguns estados estão um pouco melhor relativamente à média: Rio de Janeiro, São Paulo e o Espírito Santo no Sudeste; Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná no Sul; os estados do Centro-Oeste; Ceará no Nordeste; e Acre, Amazonas, Amapá e Rondônia no Norte têm percentual de municípios com equipamentos acima do percentual nacional.

É importante destacar que cada grupo de municípios por densidade de oferta de equipamentos apresenta heterogeneidades, mas pode-se caracterizá-los como conjuntos relativos e comparativamente homogêneos. Os municípios de alta densidade de oferta detêm 38% do produto interno bruto (PIB) e 26% da população. Seu PIB per capita é 43% superior ao do Brasil. O PIB médio dos 53 municípios da categoria alta densidade é muito superior ao do Brasil. Aqui está 1% dos municípios brasileiros, ou seja, apenas 53 municípios têm alta densidade de oferta de equipamentos. Os municípios de média densidade de oferta representam 42% do PIB e 41% da população. Seu PIB per capita é pouco superior ao nacional (3%). A mesma distribuição deste indicador pela categoria indicaria que os municípios de média densidade têm um PIB médio quase 260 vezes o do Brasil. Nesta categoria, estão 83% dos municípios brasileiros. Os municípios de baixa densidade de equipamentos detêm 20% do PIB e 30% da população. Seu PIB per capita corresponde a 61% do per capita do Brasil. O PIB médio dos municípios de baixa densidade de oferta é apenas 24% do nacional. Esta categoria tem 83% dos municípios brasileiros. 3. Bibliotecas, museus, teatro ou casa de espetáculos, cinemas, bandas de música, orquestras, clubes e associações recreativas, estádios e ginásios poliesportivos, videolocadoras, loja de discos, cds e fitas, livrarias, shopping center, estação de rádio AM e FM, geradora de TV, provedor de internet e cinema. 

segunda-feira, 15 de junho de 2015

"Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia."

"Todo filho é pai da morte de seu pai"
Por: Fabrício Carpinejar
Curta: Jornal O Cotidiano
"Feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia."
Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai. É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.
É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho.
É quando aquele pai, outrora firme e intransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.
É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.
Todo filho é pai da morte de seu pai. Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta. E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais. Uma das primeiras transformações acontece no banheiro. Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro. A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes. A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões. Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus. Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente? Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.
E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece
somente no enterro e não se despede um pouco por dia.
Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos. No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:
— Deixa que eu ajudo.
Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.
Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.
Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.
Aninhou o pai.
Acalmou o pai.
E apenas dizia, sussurrado:
— Estou aqui, estou aqui, pai!
O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

sábado, 23 de maio de 2015

Game

https://www.youtube.com/watch?v=FbOkt4DH9KA&index=1&list=PLN4adxNVceN9wE3cdUTadAoyoAUbYHGLb